Sou ator e palhaço e completei 30 anos de profissão em 2018. Hoje, também sou professor de circo, desenvolvo e produzo material cênico para apresentações teatrais e circenses, e dirijo a Cia Sinequanon, com a qual me apresentei por vários estados do Brasil e pela América do Sul. Nasci no Rio de Janeiro, no bairro de São Cristóvão, filho de pai ucraniano e mãe portuguesa.
Comecei a fazer teatro aos 14 anos, nas aulas do ator, diretor e dramaturgo pernambucano Luiz Mendonça na Fundação Fiocruz. A condução do Luiz foi fundamental para o meu trabalho, seu entendimento sobre a importância do teatro popular, aquele feito por um ator brincante que não só se apresenta, mas dialoga com o espectador, que procura o olho do público e sua cumplicidade. Depois de completarmos o Ensino Médio, alguns amigos e eu montamos o grupo “Os Enteatrados” e fomos dirigidos pelo mestre Luiz Mendonça por seis anos. Durante esse período, nos apresentamos em ótimos teatros cariocas, entre eles o Dulcina e o Calouste Gulbenkian.
Minha formação como ator continuou na UNIRIO - Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, onde me cursei Licenciatura em Artes Cênicas na década de 1990. Nessa época, trabalhei em muitos eventos corporativos e me apresentei em inúmeras festas de aniversário, atividades às quais me dedico até hoje, mas com menos frequência, devido à dedicação às aulas e oficinas como professor de circo.
Em 1999, abri a primeira loja de
artigos de circo no Rio de Janeiro. Com uma equipe de funcionários, produção
própria e importação de equipamentos que não existiam no Brasil, por mais de
dez anos, a Senhor Palhaço Serviços e Produtos LTDA preencheu uma importante
lacuna junto aos artistas da cidade. A sede era no Bairro de Santa Teresa. A
facilidade das compras pela internet mudou esse cenário, mas, até hoje recebo e
entrego encomendas especiais, de artigos confeccionados sob medida para atores
e palhaços.
Como a loja também era itinerante, circulei por todo o Brasil em festivais e convenções de circo vendendo os artigos e apresentando o show do Senhor Palhaço. Foram mais de 80 participações nesses eventos, entre eles o Festival Internacional de Palhaços - Festclown, que acontece em Brasília há 16 anos; o encontro bienal Anjos do Picadeiro, que em 2018 chega, bravamente, à sua décima quarta edição; e a Convenção Brasileira de Circo e Malabarismo, já com 19 edições realizadas.
Montar um espetáculo de palhaço não é nem um pouco fácil. Construir uma dramaturgia onde o riso seja parte fundamental da apresentação pode fazer a gente queimar a cuca e perder os cabelos. Esse espetáculo apareceu justamente no momento em que comecei a ficar careca. Percebi que tinha vários pequenos números prontos e que todos funcionavam. Juntei, costurei e estava pronto o espetáculo, com elementos de malabarismo, equilíbrio e palhaçaria.
Comecei a me dedicar com mais afinco a projetos de circo social nesta mesma época, início dos anos 2000. Percebi a grande carência por espetáculos artísticos em comunidades e passei vários anos trabalhando para Organizações Não-Governamentais. Minhas primeiras oficinas em comunidades foram em 2001, pelo Ministério da Saúde. Era um projeto de educação ambiental que usava materiais reciclados para ensinar a confecção (e depois, claro, a manipulação) de malabares. Outros que valem destaque é o Circo Voador Praia de Ramos, que durou dois anos; e a Escola de Circo Crescer e Viver, na Praça Onze, Rio de Janeiro, que até hoje desenvolve projetos sociais que beneficiam centenas de crianças, adolescentes e jovens de origem popular, usando o circo como ferramenta pedagógica e de intervenção social.
Após ministrar essas oficinas de formação circense durante anos a fio, em 2015 senti uma grande necessidade de mergulhar mais fundo na área da educação e, hoje, também sou aluno do curso de Pedagogia da UNIRIO.
Voltando um pouco no tempo, em 2010 montei a Cia Sinequanon com o amigo e ator, palhaço, cenógrafo, cenotécnico e o que mais você puder imaginar Dodô Giovanetti. Juntos, rodamos o Brasil e a América do Sul com o premiado espetáculo “Errar é Umano”. Foram 60.000 quilômetros de estrada percorridos em três anos. Entre os prêmios que ganhamos, cito o de Melhor Cena do 3º Festival Home Theatre, em 2015, no Rio.
Bem, depois disso tudo, você
ainda deve estar se perguntando: mas por que Senhor Palhaço? Eu conto: não é
tão simples escolher seu nome de palhaço. Confesso que tentei, tentei, mas não
conseguia me identificar com nenhum em especial. Como sempre fiz muitas festas
infantis e algumas crianças costumam ser excessivamente ativas, querendo ser o
centro das atenções o tempo todo, quando me chamavam sem parar de “Palhaço,
palhaço, palhaço, palhaço...”, eu estabelecia um limite: “Palhaço não, Senhor
Palhaço!” e elas acabavam entendendo que ali, era eu que conduzia a brincadeira.
Elas gostavam do nome. Eu também gostei e assumi. Sou Alexandre Hryhorczuk, o Senhor
Palhaço. Aprecie sem moderação.

Nenhum comentário:
Postar um comentário